
O sistema de transporte público de Campinas (SP) tem operado com uma frota de ônibus significativamente mais antiga do que o estipulado em contrato há pelo menos cinco anos. Dados recentes indicam que a idade média dos veículos já ultrapassa os sete anos, com a presença de coletivos com até 19 anos de circulação, gerando transtornos diários aos passageiros.
As regulamentações contratuais estabelecem que a idade média da frota não deve exceder cinco anos, com limites específicos para diferentes tipos de veículos, como 8 anos para micro-ônibus e 10 anos para ônibus convencionais. No entanto, desde 2021, a média da frota tem se mantido acima desse patamar, atingindo 8,02 anos no final de 2023 e projetando-se para 7,85 anos em agosto de 2026, apesar de uma ligeira redução em 2025.
Diante desse cenário de envelhecimento da frota, os usuários relatam uma série de problemas que afetam diretamente sua rotina. Superlotação, atrasos constantes e quebras inesperadas de ônibus durante os trajetos são queixas frequentes. Passageiros descrevem longos tempos de espera e deslocamento, comprometendo a qualidade de vida e a pontualidade em compromissos diários, como o trabalho.
A situação é agravada pela presença de veículos com idades avançadas. Relatos indicam que ônibus fabricados em 2008, portanto com 18 anos de uso em 2026, já foram flagrados em operação, apresentando desgastes visíveis como bancos rasgados e sinais de infiltração. Em um incidente recente, um veículo parou de funcionar devido a problemas mecânicos relacionados ao óleo do motor, necessitando de sinalização improvisada pelo motorista.
Especialistas na área de mecânica automotiva alertam que o excesso de tempo de uso dos veículos compromete a confiabilidade da frota. O aumento da idade média está diretamente associado à maior incidência de falhas mecânicas, afetando componentes cruciais como motor, câmbio, suspensão e sistemas de freio e direção, o que eleva o risco de quebras e a necessidade de manutenção constante.
