
Familiares de detentas na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, relatam estar sem conseguir estabelecer contato telefônico com a unidade há mais de um mês. Mães, irmãs e outras parentes afirmam que os ao menos 12 números de telefone disponíveis para comunicação com a unidade, que utilizam o DDD 018, estão inoperantes. A situação tem gerado angústia e incerteza sobre o bem-estar e a situação de saúde das presas.
Segundo relatos de diversas famílias, o bloqueio na comunicação se estende desde o início de setembro. Parentes de Campinas e Iguape, por exemplo, mencionam tentativas frustradas de ligação em datas específicas, com a constatação de que o problema se agrava e se prolonga. A falta de um canal de comunicação eficaz impede que as famílias obtenham informações cruciais sobre questões administrativas, médicas e judiciais das detentas.
Uma das irmãs de uma detenta descreveu a dificuldade em obter informações sobre a necessidade de atendimento médico de sua familiar, que só soube da situação através de uma carta enviada após um mês. A intervenção de advogados foi necessária para solicitar o atendimento, contornando a impossibilidade de contato telefônico. A sensação relatada é de impotência e desespero diante da falta de respostas e da incerteza sobre a condição das presas.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que as interrupções na comunicação foram causadas por oscilações elétricas e pelos impactos de tempestades recentes na rede de telefonia da operadora local. A pasta se comprometeu a investigar e normalizar a situação o mais breve possível, mas ainda não há previsão oficial para o restabelecimento completo dos serviços.
A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista é a unidade onde está detida a influenciadora Deolane Bezerra, presa em maio deste ano em decorrência da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Por ser advogada, Deolane Bezerra cumpre pena em uma cela especial, separada das demais presas.
