
Especialistas em tecnologia eleitoral desmentiram boatos e explicaram o funcionamento seguro da apuração de votos das urnas eletrônicas após a viralização de um vídeo. As imagens, gravadas no cartório eleitoral de Limeira (SP) durante o processo de contagem no último domingo (4), alcançaram milhões de visualizações em redes sociais, alimentando dúvidas e desinformação. Para esclarecer o procedimento, a reportagem conversou com a chefe do cartório eleitoral de Limeira, Fernanda Rocha, e com o especialista em tecnologia do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Leandro Pegoraro das Neves.
Fernanda Rocha comparou o funcionamento da urna eletrônica a uma calculadora antiga que imprime comprovantes. A principal diferença é que a urna eletrônica, além de emitir o boletim de urna, armazena os resultados em uma memória digital interna chamada ‘mídia de resultado’, similar a um pendrive. Este processo é auditado publicamente antes, durante e após as eleições, com a participação de entidades fiscalizadoras como o Ministério Público, a OAB e partidos políticos.
No dia da eleição, é emitida a ‘zerésima’, um boletim que atesta que a urna está sem votos registrados. Após o encerramento da votação, a urna realiza a apuração interna, imprime ao menos cinco vias do boletim de urna com os resultados detalhados e grava essas informações na mídia de resultado. Os boletins impressos ficam disponíveis para consulta pública, enquanto as mídias de resultado são lacradas e transportadas sob escolta policial até os cartórios eleitorais para a totalização.
Em relação à velocidade com que as mídias de resultado são manuseadas no cartório, como mostrado no vídeo viral, Leandro Pegoraro das Neves explicou que o sistema utiliza a tecnologia ‘hot swap’ (troca rápida a quente). Esse mecanismo foi desenvolvido para agilizar o processo de leitura e validação dos dados, permitindo que o sistema reconheça e transmita os resultados rapidamente sem necessidade de desligar o computador.
O especialista também esclareceu que o sistema impede a repetição da leitura da mesma mídia no mesmo equipamento ou a inclusão de resultados duplicados em outra máquina. Se uma mídia de resultado for tentada ser lida mais de uma vez, o próprio sistema identificará que já foi processada, evitando fraudes e garantindo a integridade dos dados eleitorais. Caso uma mídia seja perdida, protocolos específicos da Justiça Eleitoral são acionados para garantir a recuperação ou a validação dos resultados.
