Cantora com deficiência visual usa humor para falar sobre reconhecimento facial e viraliza: ‘Protesto e desabafo’

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A cantora, pianista e compositora Mayara Rios, de Tatuí (SP), alcançou grande repercussão nas redes sociais com uma música que satiriza a exclusão digital enfrentada por pessoas com deficiência visual. A obra, que mistura protesto e humor, aborda as barreiras impostas por sistemas de reconhecimento facial em diversas plataformas e aplicativos, e foi publicada em 1º de outubro, véspera das eleições municipais. O vídeo já soma quase 2 milhões de visualizações e centenas de milhares de curtidas, provocando um amplo debate sobre acessibilidade.

A inspiração para a canção surgiu de experiências pessoais da artista, que se considera autônoma e utiliza amplamente recursos de acessibilidade. Mayara relatou dificuldades ao tentar realizar o reconhecimento biométrico em um aplicativo bancário e, mais recentemente, no e-Título, plataforma utilizada para justificar ausências em votações. Ela destacou a contradição de sistemas que oferecem comandos de voz, mas exigem contato visual direto, criticando a limitação desses recursos tecnológicos.

Em suas apresentações e composições, Mayara Rios utiliza a arte como veículo para conscientização e transformação social. Ela ressalta que as situações retratadas na música são apenas parte de um problema maior, que afeta diversas esferas, como atendimentos em órgãos públicos, academias e serviços de telefonia. A artista lamenta que muitos sistemas priorizem um único padrão de reconhecimento facial, ignorando a diversidade de características visuais.

Após a viralização do vídeo, Mayara Rios recebeu depoimentos de diversas pessoas que compartilham experiências semelhantes. Entre elas, estão indivíduos com autismo, que têm dificuldade em manter contato visual direto com a câmera, pessoas com deformidades oculares e outras condições visuais, como estrabismo e miopia, cujos traços não são reconhecidos pelos sistemas atuais. Para a cantora, essas realidades são frequentemente negligenciadas pela sociedade e pelos desenvolvedores de tecnologia.

Mayara, formada pelo Conservatório de Tatuí, não esperava a magnitude da repercussão de sua obra. Ela contou que, até recentemente, compartilhava majoritariamente conteúdos ligados à sua carreira musical, mas passou a abordar temas de acessibilidade em suas redes sociais, notando uma receptividade positiva de seus seguidores. Essa conexão a motivou a transformar suas vivências e observações em uma composição musical, utilizando sua profissão como ferramenta para expor o problema.

A artista explicou que a criação da música teve como objetivo servir como um protesto e um desabafo, além de funcionar como um instrumento de conscientização. Com a melodia e o ritmo pensados para serem facilmente assimiláveis e populares, ela buscou alcançar um público amplo. Mayara acredita que a arte tem o poder de contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva, incentivando a reflexão e a ação por parte daqueles que podem promover mudanças.

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