Ex-secretária de Bauru articulou concessão do lixo em grupo de WhatsApp antes de assumir cargo, aponta Gaeco

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A ex-secretária de Meio Ambiente de Bauru, Cilene Bordezan, é apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como articuladora de um esquema para fraudar a licitação bilionária do sistema de resíduos sólidos do município. Segundo trechos de um processo investigatório do Ministério Público, Cilene já discutia a concessão do serviço em um grupo de mensagens no WhatsApp antes mesmo de assumir oficialmente a pasta.

O grupo, denominado “Concessão Bauru”, foi criado em fevereiro de 2025, mais de um mês antes da nomeação de Cilene para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente em março do mesmo ano. Promotores de Justiça indicam que a ex-secretária já se envolvia em articulações reservadas sobre o tema, sugerindo que sua futura posição no cargo estaria relacionada a facilitar a concessão.

Os documentos obtidos pelo Ministério Público revelam conversas entre Cilene Bordezan e Hamilton Libório Agle, um executivo ligado à área. Em uma das trocas, Hamilton menciona a intenção de entregar um “trofeuzinho” à prefeita Suellen Rosim. Cilene orienta que a entrega seja feita pessoalmente, e Hamilton responde que a prefeita havia sugerido um encontro em São Paulo.

Em outro diálogo transcrito, Hamilton combina com Cilene sobre como se aproximar da prefeita para entregar um presente em comemoração ao aniversário de Bauru. As conversas indicam que o presente seria um “presentinho” para o filho da prefeita, que estaria grávida na época. A ex-secretária sugere locais para a compra e aprova a ideia.

A prefeita Suellen Rosim (PSD) é citada em alguns trechos das conversas entre Cilene Bordezan e Hamilton Libório Agle, conforme consta no relatório do Ministério Público. No entanto, o documento ressalta que as citações ocorrem em conversas mantidas exclusivamente por terceiros investigados e que a prefeita não é alvo de investigação neste momento.

As investigações do Gaeco surgiram em meio a uma operação que resultou na prisão de secretários municipais e levantam suspeitas sobre a integridade do processo licitatório. A Câmara de Vereadores de Bauru já instaurou comissões para apurar os fatos, incluindo uma Comissão Processante que pode levar à cassação da prefeita.

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