
O Parque Estadual Carlos Botelho, localizado em São Miguel Arcanjo, no interior de São Paulo, é um santuário para a avifauna da Mata Atlântica, registrando mais de 400 espécies. Desse total, 25 estão ameaçadas de extinção, conforme dados recentes, o que reforça a importância da unidade de conservação para a proteção de espécies vulneráveis.
A vasta área florestal preservada dentro do parque, que faz parte do contínuo florestal de Paranapiacaba, é considerada estratégica para a sobrevivência de diversas aves. A gestora do parque, Nathália Zandomenegui, explica que essa preservação contínua de um grande bloco de floresta garante a conectividade ecológica e contribui significativamente para a manutenção da biodiversidade em uma escala regional.
O número atual de 414 espécies registradas representa um aumento em relação a levantamentos anteriores, como o Plano de Manejo de 2008, que contabilizava 342 espécies. Esse acréscimo pode ser atribuído ao aprimoramento das técnicas de monitoramento e ao aprofundamento do conhecimento sobre a avifauna local, consolidado a partir de diferentes pontos de observação dentro da unidade.
Entre as aves mais notáveis encontradas no parque está a jacutinga, classificada como criticamente em perigo, que é um importante indicador da saúde da floresta e um dos animais mais buscados por observadores. Outras espécies emblemáticas incluem o macuco, a araponga, o pavó, o sabiá-cica, o tucano-de-bico-verde e o gavião-pega-macaco, além de diversas espécies de gaviões florestais.
O parque apresenta uma rica diversidade de ambientes, com florestas contínuas, diferentes altitudes, cursos d’água e uma grande variedade de plantas que fornecem alimento e abrigo. Essa complexidade ambiental cria múltiplos nichos ecológicos, permitindo a coexistência de um grande número de espécies de aves. O relevo variado também influencia na distribuição da fauna, com características distintas em áreas de maior e menor altitude.
O Carlos Botelho abriga 121 espécies endêmicas da Mata Atlântica, o que corresponde a 29,2% de toda a avifauna registrada. Essa alta porcentagem de espécies restritas ao bioma sublinha o papel crucial do parque na conservação de aves que dependem especificamente das florestas da Mata Atlântica para sua sobrevivência.


