
A comunidade furry na região de Campinas, interior de São Paulo, tem encontrado nas “fursonas” — personagens animais com características humanas — um canal para a expressão individual e artística. Esses personagens, que podem ser representados por fantasias elaboradas que custam até R$ 60 mil, permitem aos participantes explorar diferentes facetas da personalidade e interagir em encontros e fóruns online.
Ser furry, segundo membros da comunidade como Paola Susana Mendoza Champi e Paulo Pessôa de Andrade Neto, não significa acreditar ser um animal. Trata-se de uma subcultura onde as pessoas assumem e interpretam personagens antropomórficos, utilizando-os como uma espécie de alter ego. Para Paola, a fursona “é uma desculpa para você sair do seu personagem pessoa, que você tinha, da sua máscara social, e experimentar talvez outras máscaras sociais, outras personalidades que, até então, você não estava livre para explorar”, explicou.
Apesar da popularidade em obras de ficção, a comunidade furry relata enfrentar preconceito e estranhamento na vida real, tanto no âmbito familiar quanto em grupos sociais e na internet. O termo “furry”, derivado do inglês “peludo”, refere-se a indivíduos que atribuem características humanas a animais, criaturas mitológicas ou alienígenas, como a capacidade de falar ou andar sobre duas pernas.
O movimento, que se originou nos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980, ligado a fãs de ficção científica e RPG, chegou ao Brasil nos anos 2000. As fursonas podem ser baseadas em universos já existentes ou criadas pelos próprios integrantes, e o uso de fantasias detalhadas, conhecidas como “fursuits”, não é obrigatório, servindo mais como uma forma de diversão ou manifestação artística.
Para além da criação artística, a comunidade furry em Campinas também se estabelece como um espaço de acolhimento. Ela oferece um ambiente onde grupos como pessoas LGBTQIA+ e neurodivergentes podem interagir com menor pressão e julgamento. Membros como Marcelo Macedo, 44 anos, utilizam suas fursonas para trabalhar autoconfiança e imagem corporal, enquanto Karolayne Zem, 26 anos, explora aspectos de sua identidade através de sua personagem.


