Setembro mais chuvoso em dez anos em Piracicaba é reflexo do fenômeno El Niño, aponta especialista

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Piracicaba (SP) atingiu o maior volume de chuvas registrado em um mês de setembro na última década. O cenário é atribuído ao fenômeno climático El Niño, que está intensificando as precipitações na região. O agrometeorologista Fabio Marin, da Esalq-USP, explicou que as condições atuais, com águas do Pacífico em aquecimento, confirmam a atuação do El Niño.

Nos primeiros onze dias de setembro, a cidade acumulou 151 milímetros (mm) de chuva, mais que o dobro da média histórica esperada para todo o mês, que é de 60 mm, conforme dados do Posto Meteorológico da Esalq-USP. O especialista comparou o evento atual com o El Niño de 2015, que também provocou um setembro com chuvas acima do normal no Sudeste.

Marin destacou que a expectativa é de uma primavera mais chuvosa que o habitual, tendência que já se manifesta em setembro. A previsão é de que a estação continue com precipitações acima da média, diferentemente de outras regiões do país. O agrometeorologista alertou para a necessidade de preparação da Defesa Civil para os riscos de alagamentos e deslizamentos em áreas urbanas.

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, tem impactos distintos em diferentes regiões do Brasil. Enquanto o Sudeste se beneficia com chuvas que favorecem a agricultura, o Norte e o Nordeste enfrentam preocupações com a escassez hídrica. Marin esclareceu que, no Nordeste, a temperatura do Atlântico, que está neutra, também influencia o regime de chuvas local.

No setor sucroenergético, o excesso de umidade afeta a colheita da cana-de-açúcar, que pode se estender até dezembro. O volume de chuva tem levado a uma queda no teor de açúcar (ATR) dos canaviais, embora a produtividade possa melhorar. Essa situação pode resultar em um remanescente de cana para o ano seguinte, conhecido como “cana bisada”.

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