
Um documento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revela uma suposta articulação para fraudar a licitação do lixo em Bauru. A investigação aponta um relacionamento amoroso entre a ex-secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, e o CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, enquanto, segundo o Gaeco, um esquema era arquitetado.
De acordo com o Ministério Público, a relação afetiva permitiu que a empresa Estre Ambiental atuasse de dentro da própria Prefeitura de Bauru, participando da elaboração de documentos oficiais como se fossem decisões públicas isentas. O relacionamento foi confirmado por meio de mensagens e vigilância presencial, que registrou o carro do executivo estacionado em frente à residência da ex-secretária durante a noite.
O relatório do Gaeco detalha ainda a articulação do grupo para obter apoio político na Câmara Municipal. O CEO da Estre Ambiental discutia com a ex-secretária a necessidade de ter “infiltrados” ou parlamentares que defendessem os interesses da empresa no Legislativo.
Em conversas registradas, Cilene Bordezan mencionava que já estava alinhando estratégias com o líder do governo na Câmara para municiá-lo com pautas semanais de defesa do projeto. A ex-secretária também sugeriu que o vereador recebesse uma recompensa financeira, referida como “querequezinho”, o que, segundo o MP, indicaria o pagamento de propina.
A investigação também descreve uma divisão de tarefas entre os envolvidos. Cilene Bordezan atuava como ponte entre a prefeitura e a empresa, Hamilton Libório Agle comandava as ações corporativas, e outras ex-secretárias municipais teriam participado da operacionalização e preparação de documentos em favor da Estre Ambiental.


