
A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Retirada nesta quinta-feira (10) para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 200 milhões em um ano. A ação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de cinco estados e resultou no bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores dos investigados.
Cinco empresas de diferentes setores, incluindo armarinhos, tecnologia e engenharia, foram identificadas como fachadas utilizadas para a movimentação ilícita de recursos. De acordo com o delegado Luis Fernando Dias de Oliveira, as investigações revelaram que essas empresas apresentavam movimentações financeiras incompatíveis com suas atividades declaradas. Algumas delas sequer possuíam sede física ou sócios com lastro financeiro compatível, sendo abertas apenas para a criação de contas bancárias e circulação de dinheiro.
O dinheiro sujo passava por diversas contas bancárias. Pessoas realizavam depósitos em espécie nas contas das empresas investigadas, e os valores eram posteriormente pulverizados para outras pessoas jurídicas. A investigação apontou que entre os principais depositantes havia indivíduos com antecedentes criminais, incluindo casos de tráfico de drogas. Um dos alvos em Santa Catarina, que já estava preso por tráfico, também teria feito depósitos em uma das empresas, sugerindo que o esquema poderia lavar dinheiro do tráfico em âmbito nacional.
Durante as buscas, foram apreendidos R$ 5 mil em espécie, diversos aparelhos eletrônicos e 40 comprovantes de depósito totalizando cerca de R$ 868,5 mil. A operação, que ainda está em sua primeira fase, apreendeu também materiais que serão analisados para identificar outros envolvidos e rastrear a origem e o destino dos valores.
A investigação teve início em julho de 2025, após a prisão de um casal por tráfico de drogas em Campinas. Anotações apreendidas levaram os policiais a uma mulher que guardava R$ 200 mil em espécie e comprovantes de depósitos que somavam R$ 375 mil. Ela alegou ser agiota e que apenas guardava o dinheiro para um terceiro, mas não foi encontrada nesta quinta-feira por ter mudado de endereço.


