Caderneta de Poupança Registra Saída Líquida de R$ 10,5 Bilhões em Agosto

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Com mais retiradas do que depósitos, a caderneta de poupança registrou uma saída líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto, segundo dados do Banco Central. O cenário reforça a tendência de menor atratividade da aplicação.

A caderneta de poupança apresentou um saldo negativo em agosto, com saques superando os depósitos em R$ 10,5 bilhões. Os dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (10) revelam que, no mês passado, R$ 357,7 bilhões foram aplicados, enquanto R$ 368,2 bilhões foram retirados. Os rendimentos creditados nas contas totalizaram R$ 6,5 bilhões, mantendo o saldo total da poupança pouco acima de R$ 1 trilhão.

Este é o terceiro mês consecutivo em que as retiradas superam os depósitos, evidenciando uma tendência de queda na popularidade da poupança como investimento. Em julho, o déficit foi de R$ 7,15 bilhões, e em 2023, as retiradas líquidas somaram R$ 85,6 bilhões. No acumulado do ano, até agosto, a caderneta já registra saques líquidos de R$ 57,1 bilhões.

A principal justificativa para esse movimento é a manutenção da taxa Selic em patamares elevados. A taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, torna outras aplicações financeiras mais rentáveis em comparação com a poupança. Historicamente, a Selic esteve ainda mais alta, chegando a 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, o período mais longo em quase duas décadas.

Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha iniciado um ciclo de cortes na taxa de juros em março, impulsionado pela desaceleração da inflação, fatores externos como a instabilidade no Oriente Médio impactam os preços de combustíveis e alimentos. Essas pressões podem dificultar uma redução mais acentuada da Selic, influenciando a atratividade dos investimentos.

A Selic é a ferramenta central do Banco Central para atingir a meta de inflação estabelecida, que é de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Quando a taxa básica sobe, o crédito se encarece e o incentivo à poupança aumenta, visando controlar a demanda e, consequentemente, os preços.

Em julho, a inflação oficial registrou uma desaceleração, fechando em 0,07%, segundo o IBGE. Essa queda, impulsionada principalmente pela redução nos preços dos alimentos, levou o IPCA acumulado em 12 meses a 4,44%, retornando à margem de tolerância da meta. A divulgação da inflação de agosto está prevista para a próxima sexta-feira (11).

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