
O Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu o maior nível em 2023 em agosto. Condições climáticas extremas e tensões geopolíticas impactam oferta e demanda global.
Os preços internacionais de alimentos apresentaram alta em agosto, alcançando o nível mais elevado desde o final de 2022. A elevação é atribuída a condições climáticas adversas em diversas regiões e aos conflitos que afetam o transporte de mercadorias, especialmente no Mar Negro, segundo informações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O aumento é um sinal de alerta sobre o retorno de riscos aos mercados alimentícios globais. Choques climáticos, como o calor extremo e a seca na Europa, juntamente com as turbulências comerciais decorrentes das guerras na Ucrânia e tensões envolvendo o Irã, estão convergindo para impactar a oferta de produtos essenciais. O fenômeno El Niño, com potencial severidade, também gera preocupações adicionais para os próximos meses.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que monitora uma cesta de commodities agrícolas comercializadas internacionalmente, registrou uma média de 133,3 pontos em agosto. Este valor representa um acréscimo em relação aos 130,8 pontos de julho, sendo o pico mais expressivo desde novembro de 2022. Apesar da alta, o índice ainda se encontra aproximadamente 17% abaixo do pico histórico observado em março de 2022.
As condições meteorológicas extremas na Europa afetaram as perspectivas de colheitas de milho e beterraba sacarina, além da produção pecuária. Paralelamente, o El Niño previsto eleva a preocupação com a produção de óleo de palma e açúcar em países asiáticos. Os conflitos militares também têm repercussões diretas, com a redução de embarques de grãos da Rússia e Ucrânia e a dificuldade no fluxo de fertilizantes para as lavouras.
A alta nos preços foi generalizada entre os componentes do índice. Os cereais registraram a maior elevação, com o índice subindo 2,2% em agosto, atingindo o maior patamar desde maio. Os óleos vegetais apresentaram uma alta de 0,6%, marcando o maior nível desde junho de 2022. O açúcar teve o maior salto percentual, com o índice subindo 11,9% e alcançando o pico desde junho de 2025, impulsionado pela menor produção no Brasil e pelas preocupações climáticas globais.


