De vítima de tráfico humano a liderança comunitária: quem foi Dona Carmem, fundadora da Comunidade Menino Chorão

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Líder e fundadora da ‘Comunidade Menino Chorão’, Maria do Carmo Pereira, ou Carmen, como era chamada Maria do Carmo Pereira/Reprodução/Redes sociais Maria do Carmo de Sousa, a Dona Carmem, morreu nesta quinta-feira (27), aos 56 anos, em Campinas (SP). Com uma vida marcada por dificuldades, violência e sucessivos recomeços, ela transformou a própria trajetória em luta social ao fundar a Comunidade Feminista Menino Chorão.

No local, centenas de famílias em situação de vulnerabilidade encontraram moradia, acolhimento e uma rede de apoio liderada exclusivamente por mulheres. Cearense, nascida em 3 de abril de 1970, Carmem contou em entrevista ao g1, em 2023, que chegou ao interior de São Paulo após ser vítima de tráfico humano.

Ela relatou que conseguiu fugir do local onde era mantida com outras quatro amigas após 40 dias. As mulheres buscaram ajuda e foram acolhidas pelo Centro de Promoção para um Mundo Melhor (Cepromm) e pelo SOS Mulher.

Mesmo com a possibilidade de retornar ao Ceará, Carmem decidiu permanecer em Campinas para reconstruir a vida e ajudar os cinco filhos que haviam ficado em Fortaleza. “Eu não quis voltar porque senti que aqui eu tinha uma nova chance.

Fortaleza era uma cidade machista, racista e homofóbica, e não tem emprego para mulher lá, é só para limpar chão ou para cozinha, mais nada. Hoje mudou, mas na época, em 2004, era muito difícil”.

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