
Pesquisadores exploram a composição dos grãos nacionais, identificando compostos com aplicações em cosméticos e potenciais efeitos na saúde, dependendo do método de preparo da bebida.
A composição química dos grãos de café brasileiros está sob investigação científica, revelando substâncias bioativas com potenciais usos em diversas áreas. A pesquisa se aprofunda na riqueza dos grãos, que representam a maior produção mundial, com destaque para as variedades arábica e canéfora.
Entre os componentes mais abundantes estão os carboidratos e lipídios, que formam o óleo de café. Este óleo, rico em triglicerídeos com propriedades antioxidantes, já demonstra potencial para aplicações na indústria cosmética e contribui para a cremosidade da bebida.
Um foco particular da pesquisa são os diterpenos, como o cafestol e o caveol. Embora estudos apontem a ação hipercolesterolêmica do cafestol, seu impacto na saúde varia significativamente com o método de preparo do café. Bebidas não filtradas, como a turca e a feita em prensa francesa, tendem a concentrar mais essa substância.
Por outro lado, métodos como o café coado em papel ou pano resultam em concentrações muito baixas de cafestol, praticamente inofensivas à saúde. O café expresso também apresenta teores reduzidos deste composto.
A alta temperatura utilizada no processo de torra do café, especialmente para grãos de intensidade forte, pode alterar a estrutura química dos diterpenos, levando à formação de derivados. No entanto, a pesquisa sobre esses derivados específicos da torra ainda é incipiente, possivelmente devido ao custo e à dificuldade em obtê-los em laboratório.


