Dia do Advogado: A História do Alemão que Fundou Sociedade Secreta e Foi Sepultado na Faculdade de Direito da USP

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Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, professor alemão que lecionou na Faculdade de Direito da USP, é homenageado no Dia do Advogado. Sua história envolve a fundação de uma sociedade secreta e seu inusitado sepultamento no campus.

No coração de São Paulo, no Largo São Francisco, um obelisco peculiar marca o túmulo de Júlio Frank, nome pelo qual o intelectual alemão Johann Julius Gottfried Ludwig Frank se tornou conhecido no Brasil. Nascido em 1808, Frank chegou ao país em 1828 e, após se destacar como professor particular, conquistou uma vaga como docente na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Sua trajetória acadêmica inclui a nomeação, em 1834, para lecionar História, Filosofia e Geografia no curso preparatório da instituição. Contudo, o que o imortalizou e garantiu seu descanso final dentro do complexo universitário foi a fundação de uma sociedade secreta estudantil: a Burschenschaft Paulista, popularmente conhecida como Bucha.

O erudito, vindo de Gotha, na Alemanha, era uma figura enigmática, admirado e, ao mesmo tempo, pouco compreendido. Pesquisas posteriores revelaram que sua data de nascimento correta é 1808, e não 1809, como constava em sua lápide, uma descoberta realizada quase um século após sua morte.

Frank veio de uma família ligada ao ramo de encadernação e estudou Filosofia, Letras, História e Matemática na Universidade de Gottingen. No entanto, envolvimentos em brigas e dívidas levaram à sua expulsão da universidade alemã, impulsionando sua vinda ao Brasil como uma fuga.

A travessia transatlântica e a chegada ao Rio de Janeiro foram desafiadoras; ele trocou a passagem por trabalho a bordo e enfrentou dificuldades. De lá, seguiu para São Paulo e depois para Sorocaba, onde sua vocação para o ensino logo chamou a atenção da elite local. Frank passou a preparar jovens para ingressar na Faculdade de Direito.

O sucesso de Frank como tutor foi tal que, ao se prepararem para retornar a São Paulo para os exames, seus alunos convenceram seus pais a levá-lo consigo. Assim, o professor e seus pupilos estabeleceram residência em uma república estudantil na capital paulista, então uma cidade com cerca de 11 mil habitantes e 300 estudantes universitários.

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