
Influenciador Lito Sousa foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob. A condição neurológica, embora rara e incurável, é distinta da Encefalopatia Espongiforme Bovina, popularmente conhecida como ‘doença da vaca louca’.
O influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Música, recebeu o diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), conforme anunciado por sua esposa nesta sexta-feira (21). Desde a divulgação, tem havido confusão sobre a semelhança entre a condição de Sousa e a chamada ‘doença da vaca louca’. Especialistas esclarecem que, apesar de pertencerem à mesma família de doenças priônicas, são enfermidades distintas.
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade priônica humana rara, caracterizada por ser neurodegenerativa, progressiva e sem cura. Seus sintomas iniciais frequentemente incluem demência e perda de memória, evoluindo para outros sinais neurológicos que afetam simultaneamente diversas áreas do cérebro. Existem quatro formas conhecidas: esporádica (a mais comum, com 85% dos casos), hereditária, iatrogênica e a variante (vDCJ).
A ‘doença da vaca louca’ é tecnicamente a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), uma enfermidade que afeta bovinos e também é causada por príons. A confusão histórica entre as duas doenças surgiu na década de 1990, principalmente no Reino Unido. Na época, observou-se que um grupo de pessoas desenvolveu a variante da DCJ (vDCJ) após o consumo de produtos bovinos contaminados pelo agente da EEB.
Segundo Diogo Haddad, head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a vDCJ está ligada à doença da vaca louca, mas difere da forma esporádica da DCJ, que é a mais encontrada clinicamente. Ele explica que, enquanto a vDCJ pode apresentar sintomas psiquiátricos e comportamentais inicialmente, a forma esporádica tende a manifestar deterioração neurológica e cognitiva mais rapidamente.
Na vDCJ, os pacientes afetados geralmente são mais jovens, e os sintomas iniciais costumam ser psiquiátricos, como depressão e ansiedade, ou sensoriais. Manifestações neurológicas, como dificuldades de coordenação e alterações na marcha, surgem posteriormente. Já na DCJ esporádica, sintomas como perda de memória, desorientação e problemas de equilíbrio podem se desenvolver em questão de semanas.
A DCJ é causada pela alteração de uma proteína chamada príon, que se multiplica no cérebro, destrói neurônios e deixa um padrão de buracos no tecido cerebral, caracterizando o aspecto ‘espongiforme’. No Brasil, a doença atinge predominantemente pessoas entre 55 e 74 anos, com uma idade média de 66 anos em casos suspeitos, embora a forma esporádica geralmente afete indivíduos entre 60 e 80 anos.


