
Estudo do Inca revela que tabagismo eleva em até 30 vezes a chance de morrer por câncer de pulmão, doença que mais mata no Brasil. O número de fumantes voltou a crescer no país.
O risco de uma pessoa morrer em decorrência do câncer de pulmão pode ser até 30 vezes superior entre fumantes em comparação com não fumantes, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esta doença é a principal causa de morte por câncer no Brasil, registrando mais de 30 mil óbitos anualmente. Uma preocupação adicional é o caráter silencioso da doença, com cerca de 80% dos pacientes descobrindo-a apenas em estágios avançados.
Especialistas apontam o tabagismo como o principal fator de risco para o desenvolvimento e morte por câncer de pulmão. O cenário atual no Brasil é alarmante: após quase duas décadas de declínio, a incidência de tabagistas na população adulta voltou a crescer. Em 2024, 11,7% dos adultos brasileiros eram fumantes, um aumento em relação aos 9,3% registrados em 2023, segundo dados do Vigitel.
A pesquisa do Inca, que comparou a mortalidade entre fumantes e não fumantes, indicou que o risco varia significativamente com a idade e o sexo, apresentando um crescimento acentuado a partir dos 45 anos. Entre indivíduos de 65 a 74 anos que fumam, o risco de morte por câncer de pulmão chega a ser mais de 30 vezes maior do que aqueles que nunca fumaram.
O caso de Bryan Dutra, 32 anos, ilustra a progressão do vício. Ele iniciou o hábito de fumar em 2014, durante a faculdade, com cigarros sociais. Contudo, em pouco tempo, o uso esporádico evoluiu para um hábito diário, caracterizando-o como tabagista, mesmo que a frequência não fosse constante. Definição de tabagista abrange quem usa produtos de tabaco por pelo menos 12 meses, independentemente da frequência.
Após 12 anos de vício, Bryan buscou ajuda para largar o cigarro, reconhecendo a dificuldade e a força da dependência da nicotina. Ele relata ter enfrentado dores de cabeça e instabilidade emocional durante o processo de abstinência. Atualmente, com quase dez meses sem fumar, ele descreve a luta como diária, especialmente em situações sociais, mas reforça a importância da decisão por sua saúde futura.
O movimento de pessoas buscando parar de fumar tem se tornado mais visível, com muitos utilizando redes sociais para compartilhar suas experiências e progressos. Essa tendência se reflete no aumento expressivo da procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para cessação do tabagismo. O número de atendimentos saltou de 351.832 em 2015 para mais de 2,5 milhões em 2025, um crescimento superior a sete vezes em uma década.
O Ministério da Saúde enfatiza que a cessação do tabagismo é a estratégia mais eficaz contra o câncer de pulmão e outras doenças relacionadas ao tabaco. O tratamento para parar de fumar é oferecido gratuitamente pelo SUS, com acompanhamento individual ou em grupo e orientações adaptadas às necessidades de cada paciente.


