No segundo turno das eleições presidenciais, a região de Ribeirão Preto e Franca registrou um acréscimo de 192.865 votos em comparação ao primeiro turno. Lula (PT) obteve 128.100 desses votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 64.765. Apesar de Flávio ter vencido na região com 59,27% dos votos válidos, sua vantagem caiu de 326.360 para 263.025 votos.
O cientista político João Augusto do Carmo aponta que a maior participação no segundo turno se deve à mudança na natureza da disputa, que deixou de ser apenas sobre propostas políticas e passou a envolver questões de identidade e valores sociais. Essa transformação fez com que mais eleitores se sentissem motivados a comparecer às urnas.
De acordo com do Carmo, a diferença no número de votos entre os turnos pode ser explicada pela forma como os eleitores processam informações. No primeiro turno, com muitos candidatos, a escolha tende a ser mais simplificada. Já no segundo turno, a competição entre dois candidatos e o intenso fluxo de informações nas redes sociais tornaram a decisão mais significativa.
Ele também destaca que quando a escolha se relaciona a crenças e valores pessoais, a participação tende a aumentar. A mobilização do PT durante o segundo turno, especialmente entre os jovens, pode ter contribuído para esse aumento no comparecimento, embora os dados do Tribunal Superior Eleitoral não permitam uma análise detalhada por faixa etária.
Assim, a eleição foi marcada por uma maior mobilização popular, refletindo uma mudança no engajamento dos eleitores em questões que vão além da política tradicional.
