Coronel uruguaio condenado por tortura é preso no Rio Grande do Sul

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A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (26) em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, o uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo. Ele é condenado pela Justiça italiana por sequestro, tortura e assassinato de quatro cidadãos italianos durante a ditadura militar no Uruguai.

A prisão foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que homologou a sentença para que a pena fosse cumprida no Brasil, uma vez que Narbondo é naturalizado brasileiro e reside no país. Após ser localizado, ele foi encaminhado ao sistema prisional e ficará à disposição da Justiça.

Conhecido como “El Burro”, Narbondo atuou como oficial do Serviço de Informações de Defesa (SID) na década de 1970, um órgão responsável pela repressão política na ditadura uruguaia. Desde março, ele usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar Santana do Livramento para evitar fuga.

O subprocurador-geral da República, Artur Gueiros, destacou que esta é a primeira vez que um agente de um regime ditatorial cumprirá pena por violações de direitos humanos no Brasil. A decisão do STJ, que ocorreu na quarta-feira (21), converteu a prisão perpétua imposta pela Corte de Apelação de Milão em 30 anos, já que a prisão perpétua não é prevista na legislação brasileira.

Os crimes de Narbondo estão relacionados à Operação Condor, uma articulação entre serviços de inteligência de vários países da América do Sul, que visava perseguir opositores políticos. Durante o julgamento, a maioria dos ministros do STJ rejeitou a aplicação da Lei da Anistia, que perdoou crimes políticos cometidos durante a ditadura. Até então, apenas Narbondo permanecia em liberdade entre os condenados pelos assassinatos dos italianos.

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