Sindicatos da região de Piracicaba divergem sobre fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

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A recém-promulgada emenda constitucional que extingue a escala 6×1, comum no mercado de trabalho brasileiro, gerou reações distintas entre sindicatos da região de Piracicaba. Enquanto representantes dos trabalhadores celebram a nova legislação, que assegura dois dias de repouso remunerado por semana sem alteração salarial, entidades industriais e comerciais expressam preocupação com os potenciais impactos econômicos e operacionais.

A modificação, a primeira na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, prevê uma transição gradual. Inicialmente, o limite máximo de trabalho semanal cairá de 44 para 42 horas, com a garantia dos dois dias de folga, dentro de dois meses após a publicação da emenda no Diário Oficial da União. Posteriormente, em um prazo de doze meses, a jornada máxima será definitivamente estabelecida em 40 horas semanais, mantendo a remuneração integral.

O Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) manifestou apreensão com o aumento dos custos de produção e a possível perda de competitividade para as empresas. O sindicato também apontou dificuldades conjunturais enfrentadas pela indústria nacional, como tarifas comerciais internacionais, e defendeu que as mudanças na jornada sejam acompanhadas por políticas de aumento de produtividade e qualificação profissional.

A Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi) também sinalizou preocupação, especialmente para setores com funcionamento contínuo, como hospitais e shoppings. A entidade ressaltou a necessidade de adaptações, diálogo e renegociações coletivas, além de um planejamento financeiro cuidadoso para mitigar os possíveis impactos nos custos operacionais e na manutenção de empregos.

Por outro lado, o Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba e Região (Sincomércio) considera a redução da jornada uma discussão legítima, mas alerta para as particularidades do setor, como horários de atendimento e a carga sobre pequenos negócios. O sindicato avalia que a medida pode aumentar custos, pressionar preços e dificultar a manutenção de empregos formais em estabelecimentos menores.

Na perspectiva dos trabalhadores, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários) vê a mudança, que favorece a escala 5×2, como um avanço significativo. A entidade destaca que a medida pode auxiliar na gestão da dupla jornada enfrentada por muitas mulheres e estimular a contratação de mais funcionários em diversos segmentos.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi) relatou entusiasmo entre os trabalhadores com a aprovação da nova jornada, considerando-a uma vitória importante para a categoria.

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