
Um corredor foi surpreendido ao flagrar um carcará (Caracara plancus) capturando e se alimentando de uma serpente, identificada como falsa-coral, em uma estrada de terra na zona rural de Botucatu, no interior de São Paulo. O registro ocorreu em um domingo com chuva, enquanto o metalúrgico Diogo Tomé Franco realizava seu treino habitual pela região.
Inicialmente, Diogo não percebeu a ação da ave. Ao retornar pelo mesmo caminho, avistou o carcará posado sobre uma cerca, com a serpente presa em suas garras. Diante da cena inusitada, ele buscou registrar o momento com seu celular, mas as condições climáticas adversas dificultaram o uso do aparelho. Após conseguir secar o telefone, ele obteve imagens do comportamento da ave até que ela alçou voo com sua presa.
“Foi um momento inesperado, um sentimento de surpresa e alegria de conseguir gravar aquele momento e ainda de presente ele saiu voando com a presa”, relatou Diogo. Ele, que tem o hábito de correr em trilhas e estradas próximas à natureza, afirmou que, apesar de sua familiaridade com esses ambientes, nunca havia testemunhado um evento semelhante em suas práticas esportivas.
O registro demonstra a interação predatória entre o carcará e a serpente, onde as garras da ave atuam na imobilização e o bico forte e curvo é utilizado para rasgar os tecidos da presa. Essa combinação de ferramentas é característica de aves de rapina para a captura e consumo de suas vítimas, embora o método exato possa variar.
Especialistas apontam que o carcará é uma ave de hábitos oportunistas, com uma dieta bastante variada. Embora muitas vezes associados à alimentação de carcaças, esses pássaros também são capazes de caçar animais vivos, como no caso da serpente observada em Botucatu. Sua capacidade de explorar diferentes fontes de alimento permite que ocupem tanto ambientes rurais quanto urbanos.
A falsa-coral é uma serpente não peçonhenta, frequentemente confundida com a coral verdadeira, que possui veneno. A capacidade do carcará de predar diferentes tipos de serpentes, sejam elas venenosas ou não, reforça sua adaptabilidade como predador no ecossistema.
