
Campinas registrou quase 250 mil ocorrências de motociclistas cobrindo intencionalmente as placas de seus veículos para evitar a identificação por equipamentos de fiscalização ao longo de 2026. Os dados, divulgados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), revelam uma média diária de 900 infrações, uma prática conhecida como ‘mão na placa’ que preocupa as autoridades de trânsito.
A conduta, classificada como infração gravíssima, está frequentemente associada a comportamentos de risco, como o excesso de velocidade e outras violações das leis de trânsito. A Avenida John Boyd Dunlop lidera o ranking das vias com maior incidência, contabilizando mais de 142 mil flagrantes em seus 29 pontos de monitoramento. Em seguida, a Avenida Ruy Rodriguez apresentou cerca de 37,6 mil registros em 14 pontos monitorados, demonstrando a concentração de irregularidades em poucas vias da cidade.
Somadas, as duas principais avenidas respondem por 72% de todas as infrações do tipo em Campinas, o que equivale a aproximadamente 180,3 mil casos. Outras vias importantes como Amoreiras, Rodovia Heitor Penteado, Avenida Prestes Maia, Lix da Cunha e José Roberto Magalhães Teixeira também aparecem no levantamento, evidenciando a extensão do problema por diversos eixos viários da cidade.
A legislação de trânsito estabelece que conduzir um veículo com a placa em condição de visibilidade comprometida é uma infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e a sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A Emdec ressalta que muitos motociclistas flagrados, além de ocultarem a placa, circulam em velocidades que variam entre 80 km/h e 100 km/h em locais com limites significativamente inferiores.
Recentemente, a Guarda Municipal de Campinas apreendeu uma motocicleta com um dispositivo mecânico que alterava automaticamente a posição da placa. A ação ocorreu após monitoramento na Avenida John Boyd Dunlop, e o proprietário foi devidamente autuado. Essa medida demonstra a sofisticação que alguns infratores utilizam para burlar a fiscalização eletrônica.
A Emdec também apontou que a reincidência é um fator relevante para o alto volume de flagrantes, com muitos condutores sendo identificados em diferentes equipamentos de controle de tráfego. Essa prática deliberada de esconder a identificação, muitas vezes ligada à prática de outras infrações, contribui para um cenário de maior risco para todos os usuários das vias.
