
O fotógrafo José Roberto Pireni, de 78 anos, tem dedicado os últimos 15 anos a registrar a rica biodiversidade do Parque Estadual Morro do Diabo, localizado em Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo. Morador próximo a uma das maiores áreas de Mata Atlântica preservada do estado, Pireni utiliza sua câmera para documentar a fauna local, com foco especial nas aves, que incluem tucanos, araras e até registros considerados raros. A região é conhecida por abrigar uma grande variedade de espécies, com 356 já catalogadas na plataforma WikiAves, embora o número real seja estimado como significativamente maior.
Entre as centenas de espécies fotografadas por Pireni, a águia-cinzenta se destaca como seu registro mais precioso. O flagrante dessa ave de rapina, ocorrido em 7 de agosto de 2018, marcou o primeiro registro oficial da espécie no Pontal do Paranapanema, uma área que compreende o parque. A águia-cinzenta é uma das maiores do Brasil, comparável à harpia e ao uiraçu, e sua presença na região, após um longo período sem avistamentos confirmados, reforça a importância ecológica do Morro do Diabo. Pireni descreve a águia-cinzenta como a ave mais bela que já fotografou, superando até mesmo o urubu-rei em sua preferência pessoal.
A águia-cinzenta, que pode atingir até 85 cm e pesar 3,5 kg, encontra-se ameaçada devido à perda e degradação de seu habitat natural. O fotógrafo relata que, após o registro de 2018, a espécie permaneceu desaparecida por quatro anos, com apenas alguns avistamentos posteriores, sendo o último há cerca de dois meses. Esses registros esporádicos sublinham a fragilidade da população dessa ave na área e a relevância do trabalho de documentação realizado por Pireni.
Outra espécie que merece menção especial no acervo de Pireni é a arara-vermelha, considerada por ele um símbolo da região. Ele comenta que a arara-vermelha está extinta no restante do estado de São Paulo, existindo predominantemente no Pantanal, e sua presença no Pontal do Paranapanema pode ser explicada pela proximidade com o Mato Grosso do Sul. A coleção do fotógrafo também inclui registros de outras aves notáveis, como papagaio-verdadeiro, seriema, araponga, beija-flor-tesoura, urubu-rei, gavião-preto, corujinha-do-mato, entre muitas outras, que podem ser vistas em matérias com suas fotografias.
José Roberto Pireni, que anteriormente trabalhou como barrageiro na Companhia Energética de São Paulo (Cesp), descobriu na fotografia de natureza uma nova vocação. Sua dedicação à observação e registro da vida selvagem no Parque Estadual Morro do Diabo contribui para a conscientização sobre a biodiversidade local e a necessidade urgente de conservação desse valioso ecossistema.
