
Setor produtivo brasileiro demanda ações em cinco frentes, incluindo crédito, seguro rural, infraestrutura e competitividade internacional, para superar gargalos atuais.
O agronegócio brasileiro, pilar da economia nacional, chega ao próximo ciclo presidencial com desafios que vão desde o acesso a crédito e seguro rural até a infraestrutura e a dependência de insumos importados. Especialistas e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apontam a necessidade de políticas públicas consistentes para solucionar gargalos que impactam a competitividade e a resiliência do setor diante de eventos climáticos e flutuações de mercado.
Entre os principais obstáculos destacados estão o endividamento de produtores e o alto custo do crédito, fatores que elevam o risco percebido pelas instituições financeiras e restringem o acesso a capital. A baixa cobertura do seguro rural, que atinge apenas 3% da produção, agrava a vulnerabilidade do setor a perdas causadas por eventos climáticos extremos, um problema que se intensifica a cada ano.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) propõe um plano de cinco frentes para enfrentar essas questões. As sugestões incluem a criação de um marco plurianual para financiamento e seguro rural, com um fundo específico para catástrofes climáticas, além de políticas industriais que fortaleçam as cadeias produtivas nacionais e reduzam a dependência de insumos importados.
Outras propostas da entidade visam modernizar a infraestrutura agroindustrial, agilizar licenciamentos e autorizações, e promover a comunicação e educação sobre a importância do setor. Na frente internacional, busca-se combater barreiras comerciais e defender a competitividade brasileira por meio de ações coordenadas entre governo e setor produtivo.
Pesquisadores ressaltam que a solução para muitos desses problemas depende de ações contínuas e da colaboração entre governo, produtores e o setor financeiro. A recente publicação da lei 15.526/2026, que estabelece um novo marco regulatório para o seguro rural e inclui a regulamentação do Fundo de Catástrofe, representa um avanço nesse sentido, embora a plena implementação e o ajuste das carteiras de crédito e das condições dos produtores demandem tempo.
