![]()
A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual. Mensagens com ataques machistas e racistas levaram o partido a contratar segurança armada para protegê-la.
A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil para denunciar ameaças de morte e violência sexual sofridas durante o período eleitoral. As mensagens recebidas incluíam ofensas de cunho machista e racista, além de ameaças de estupro, conforme relatado pela parlamentar. Em decorrência da gravidade das intimidações e da exposição de dados pessoais como endereço e telefone, o Partido dos Trabalhadores (PT) providenciou segurança armada para a jovem eleita.
Entre as ameaças recebidas, Ana Elisa divulgou em suas redes sociais prints de um e-mail datado de 5 de setembro. O remetente se identificava como membro de um grupo de extrema-direita e supremacista branco, alegando intolerância a mulheres pretas em posições de poder. A mensagem detalhava intenções de cometer violência sexual contra a deputada eleita.
Ana Elisa, que se tornou a mulher mais jovem a ser eleita deputada federal no Brasil, obteve 524.219 votos nas eleições, figurando como a segunda mais votada em Minas Gerais. Ela também foi a mulher mais votada historicamente no estado para a Câmara dos Deputados. Nascida em Divinópolis, a jovem estudante de direito ganhou notoriedade nas redes sociais com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação, alcançando mais de 3 milhões de seguidores.
O caso de Ana Elisa se insere em um contexto de crescente violência política de gênero no país. Organizações da sociedade civil já haviam entregado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com diversas denúncias de ataques contra mulheres candidatas, incluindo agressões físicas, verbais e ameaças. Dados do próprio TSE indicam um aumento expressivo de 11 vezes na violência política de gênero entre as eleições de 2022 e 2026.
Para mulheres vítimas de violência política e qualquer pessoa que tenha conhecimento de tais crimes, existem diversos canais para denúncia e busca de orientação. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 oferece atendimento gratuito, humanizado e sigiloso 24 horas por dia. Outras opções incluem a Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público, a Procuradoria-Geral Eleitoral e a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A Polícia Federal, através do canal Comunica PF e delegacias estaduais, também recebe denúncias, assim como a Defensoria Pública da União. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
