
Especialistas e representantes do setor alertam que a estabilidade nas relações comerciais com a China é crucial para o agronegócio brasileiro, independentemente do alinhamento político com os Estados Unidos.
O agronegócio brasileiro busca manter um equilíbrio nas relações com a China e os Estados Unidos, independentemente do resultado eleitoral presidencial no Brasil. A análise foi feita em um evento em São Paulo que discutiu o futuro da segurança alimentar e seus impactos para o setor. A preocupação reside na possibilidade de uma aproximação maior com os EUA sob a influência de Donald Trump, o que poderia gerar cautela por parte da China, um parceiro comercial vital.
A especialista em China, Larissa Wachholz, que atuou no Ministério da Agricultura, explicou que Pequim observa a América Latina com atenção, avaliando onde seus investimentos e relações comerciais são bem-vindos. Segundo ela, a China prefere evitar áreas de confronto direto, pois seus investimentos dependem de estabilidade jurídica e sentido econômico. A preocupação com o alinhamento latino-americano aos EUA já se intensificou no primeiro mandato de Trump.
Wachholz destacou que os Estados Unidos consideram a América Latina uma região de influência própria, o que pode gerar atritos com a expansão de interesses chineses. Essa dinâmica exige que o Brasil sinalize positivamente para a China, mesmo que um governo eleito apresente maior aproximação com os EUA, para garantir a continuidade de investimentos essenciais.
Os investimentos chineses têm sido fundamentais para o agronegócio brasileiro, auxiliando na superação de gargalos de infraestrutura e aumentando a competitividade de produtos nacionais no mercado internacional. Exemplos incluem a participação da chinesa Cofco no terminal portuário STS11 em Santos e a expansão da TCP em Paranaguá, controlada pela China Merchants Port, que aprimorou a capacidade de transporte refrigerado para exportação de carnes.
Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, e Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), compartilham da mesma visão. Santin ressaltou que o agronegócio não tem partido nem ideologia, focando na segurança alimentar e representando uma parcela significativa do PIB brasileiro, o que exige a preservação das relações comerciais com todos os países compradores.
Santin enfatizou que o peso do Brasil no abastecimento mundial impõe a qualquer governante a obrigação de manter relações comerciais estáveis. Ele não espera, portanto, alterações significativas nas exportações de carne para a China, dada a importância estratégica desse mercado para a economia nacional.
