
Bauru, o principal município da região centro-oeste paulista, não conseguiu eleger representantes para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nem para a Câmara dos Deputados nas eleições mais recentes. Esta é a segunda vez seguida que a cidade não obtém um nome próprio para o Congresso Nacional, sendo a última eleição com representação direta em 2018. A cidade conta com quase 400 mil habitantes e mais de 277 mil eleitores aptos a votar.
Ao contrário de Bauru, outras cidades da região conseguiram assegurar vagas nos parlamentos. Marília elegeu a deputada estadual Dani Alonso (PL) e o deputado federal Capitão Augusto (PL). Botucatu garantiu o deputado estadual Mário Pardini (PSD) e o deputado federal João Cury (MDB). Já Ourinhos elegeu o deputado estadual Ricardo Madalena (PL), que possui base eleitoral em Santa Cruz do Rio Pardo.
A ausência de parlamentares locais pode gerar dificuldades na articulação política para atender às demandas da cidade e de sua área de influência. Deputados estaduais e federais desempenham um papel crucial na busca por recursos e emendas parlamentares junto ao Governo do Estado e à União, essenciais para investimentos municipais.
Especialistas apontam que as regras do sistema proporcional de votação, que exigem que partidos ou federações alcancem um quociente eleitoral mínimo para conquistar cadeiras, representam um obstáculo. A professora Teresa Kerbauy, cientista política, explicou que a falta de votos suficientes para o partido do candidato, mesmo com uma votação expressiva individual, pode impedir a eleição.
Mudanças nas leis eleitorais, como a proibição de coligações para cargos legislativos a partir de 2017, também alteraram a dinâmica. Anteriormente, um candidato com alta votação podia ajudar a eleger outros membros da coligação, o que hoje não ocorre mais, aumentando o número de votos necessários para cada partido individualmente.
A pulverização dos votos entre diferentes candidatos de Bauru, mesmo entre aqueles com projeção regional, contribuiu para o cenário. A falta de uma liderança política consolidada e com forte apelo regional dificulta a concentração de votos suficientes para garantir uma vaga nas 94 cadeiras da Alesp ou nas 70 da Câmara dos Deputados destinadas a São Paulo, apesar do grande número de eleitores bauruenses.
