
Delegação europeia no Brasil aponta que exigência de rastreabilidade total do ciclo do animal dificulta liberação rápida. Exportadores pedem transição, mas bloco não sinaliza abertura.
A União Europeia (UE) considera difícil a liberação da exportação de carne bovina brasileira para o bloco em um prazo inferior a dois anos. A informação foi divulgada por Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, em entrevista concedida nesta quinta-feira (1º). Exportadores do setor agropecuário brasileiro buscam negociação de um período de transição com o governo federal para retomar os negócios antes do prazo estimado, mas o bloco europeu ainda não demonstrou abertura para essa possibilidade.
Bou explicou que a complexidade para a retomada das exportações de carne bovina se deve à exigência europeia de comprovação de que os animais não receberam antimicrobianos durante todo o seu ciclo de vida. Esse período, no caso dos bovinos, tem duração média de dois anos, o que impacta diretamente o tempo necessário para a certificação. O representante da UE comparou a situação com a do frango e do mel, cujas auditorias foram concluídas rapidamente e resultaram em relatórios positivos, permitindo a volta das exportações desses produtos.
A União Europeia suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil no dia 3 de setembro, após excluir o país da lista de nações que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. O bloco restringe o uso dessas substâncias para tratamento de infecções e proíbe seu emprego para estimular o crescimento ou o uso em animais de antimicrobianos considerados essenciais para a saúde humana.
Apesar da frustração do setor agropecuário brasileiro, que classificou a medida como protecionista especialmente após a assinatura do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, Bou destacou as oportunidades geradas pelo acordo. Ele mencionou o crescimento expressivo nas exportações de produtos como uvas e café para a UE nas primeiras semanas de vigência do acordo, e ressaltou o potencial de aumento ainda maior com a redução gradual das tarifas.
Para melhorar a imagem do Brasil na Europa, Jean-Pierre Bou enfatizou a importância de o país manter e não retroceder nas políticas ambientais implementadas nos últimos anos, incluindo as disposições do Código Florestal. Ele também apontou o aproveitamento de áreas degradadas como uma estratégia para conciliar o avanço da produção agrícola com os objetivos da agenda ambiental.
