
Uma operação policial em Itatiba, no interior de São Paulo, desarticulou um grupo criminoso suspeito de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que utilizava um sistema de monitoramento de câmeras de uma associação de moradores para vigiar a atuação das forças de segurança. A entidade comunitária é vinculada a um vereador local e sua esposa, que teriam presidido a associação em diferentes períodos, segundo o Ministério Público. A investigação, denominada Operação Nexus, cumpriu mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (15).
O promotor Rafael Salzedas, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explicou que o monitoramento constante realizado pela organização criminosa prejudicava o trabalho de rotina da Polícia Militar e Civil. Segundo ele, o controle sobre as entradas e pontos estratégicos da cidade impedia a realização de flagrantes, apreensões de entorpecentes e a captura de criminosos. Documentos apreendidos reforçam a suspeita de que o vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Du Guaca, e sua esposa administravam o sistema de câmeras, possivelmente compartilhando informações com os traficantes.
Durante a ação, foram cumpridos mandados na Câmara Municipal, na sede da associação e na residência do vereador. Em sua casa, foram encontrados aproximadamente R$ 20 mil em espécie, valor que o parlamentar atribuiu ao seu salário, negando qualquer ligação com os envolvidos no esquema. Ele admitiu monitorar algumas câmeras por aplicativo, mas ressaltou não ter relação com atividades criminosas. O Ministério Público não solicitou o afastamento do vereador de suas funções.
Para driblar a vigilância do grupo, as forças policiais adiantaram o horário de início do cumprimento dos mandados, que usualmente começa às 6h, temendo que os suspeitos já estivessem cientes da aproximação das viaturas. Apesar da estratégia, dois suspeitos tentaram fugir, sendo um capturado em pleno deslocamento e outro que buscou refúgio em uma residência vizinha. A operação envolveu 167 policiais militares e 44 equipes táticas, com apoio aéreo e da Corregedoria da PM.
Um policial militar lotado em Itatiba foi afastado de suas funções operacionais e realocado para o setor administrativo, sob investigação da Corregedoria por suposta ligação com o líder da organização criminosa. Aparelhos celulares foram apreendidos em sua residência. Em Campinas, um empresário do ramo de veículos, Leandro Gabioneta, teve sua casa e loja de carros alvos de busca. Ele é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, devido a transações financeiras com o principal investigado da organização criminosa.


