Brasil precisa dobrar investimentos para reverter déficit histórico em infraestrutura, aponta CNI

Mais lidas

Estudo da CNI sugere elevar aportes em infraestrutura para 4,65% do PIB anualmente, combinando capital público e privado para suprir carência histórica.

O Brasil necessita mais que duplicar seus investimentos em infraestrutura para sanar um déficit histórico e alcançar padrões internacionais. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o país precisa destinar 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente ao setor, o que equivale a cerca de R$ 550 bilhões por ano, por, no mínimo, duas décadas.

Em 2024, os investimentos no setor somaram R$ 266,8 bilhões, representando 2,27% do PIB. Desse total, a maior parte, R$ 188,1 bilhões (70,5%), veio do setor privado, enquanto o investimento público, realizado majoritariamente por estados e municípios, alcançou R$ 78,6 bilhões. A CNI propõe um novo regime de financiamento que combine recursos públicos e privados para sustentar projetos de longo prazo.

Segundo a entidade, nenhuma fonte de recursos isoladamente é suficiente para atender às demandas brasileiras. O novo modelo deve fortalecer o mercado de capitais, criar condições favoráveis a investimentos de longo prazo e ampliar a participação do capital privado. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a necessidade de estabilidade econômica, institucional e segurança jurídica para atrair esses investimentos.

Alban também ressaltou a importância de uma estratégia de Estado para garantir a continuidade dos projetos, definindo a modernização da infraestrutura como um esforço contínuo e sistemático. Ele defende que a política para o setor deve ser conduzida como política de Estado, transcendendo governos.

A análise da CNI demonstra uma mudança significativa na composição do financiamento da infraestrutura entre 2010 e 2024. Os recursos privados saltaram de uma média de R$ 88,6 bilhões (entre 2010-2014) para R$ 184,5 bilhões em 2024, elevando sua participação de 29,3% para 61,5%. Em contrapartida, os recursos públicos diminuíram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões no mesmo período.

Para viabilizar esse aumento de investimentos, a CNI sugere medidas como estabilidade macroeconômica e fiscal, fortalecimento do mercado de capitais e expansão do crédito privado com modelos que distribuam riscos. Além disso, a entidade defende a criação de uma carteira maior de projetos estruturados para concessões e parcerias, e a garantia de segurança jurídica e previsibilidade regulatória.

O estudo também analisou experiências internacionais no Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França, identificando fatores comuns de sucesso como estabilidade econômica, instituições confiáveis e mercados de capitais desenvolvidos. O papel de instituições como o BNDES na redução de riscos e mobilização de capital privado também foi destacado.

spot_img
spot_img

Últimas Notícias