
Equipamentos de monitoramento instalados no alto da Mata Atlântica, na região do Pontal do Paranapanema (SP), capturaram imagens inéditas da rotina de micos-leões-pretos e outros mamíferos arborícolas. As chamadas câmeras trap, posicionadas em locais de difícil acesso nas árvores, registraram o revezamento de animais em abrigos naturais e o uso de recursos florestais, oferecendo um panorama detalhado da vida selvagem sem a interferência humana.
O estudo buscou avaliar a eficiência das armadilhas fotográficas como ferramenta de monitoramento não invasivo, permitindo a observação contínua e prolongada dos animais. As câmeras operaram durante todo o dia, registrando desde os hábitos diários dos micos-leões-pretos, incluindo o desenvolvimento de filhotes e indivíduos jovens, até a utilização de ocos de árvores e outras estruturas por diferentes espécies em horários distintos.
Maria Carolina Manzano, pesquisadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, destacou a importância dessa abordagem para a ciência. Segundo ela, as armadilhas fotográficas permitem acompanhar a fauna por longos períodos sem a presença de observadores, o que é crucial para não alterar o comportamento natural dos animais. Essa técnica possibilitou, por exemplo, documentar o crescimento de um filhote até a fase subadulta.
Além de seguir a rotina dos primatas, as câmeras registraram o uso dos mesmos espaços por outros animais, como marsupiais, evidenciando a complexa teia de interações na floresta. A capacidade de monitoramento 24 horas por dia permitiu compreender o que acontecia nos locais frequentados pelos micos quando eles não estavam presentes, revelando uma dinâmica de ocupação pouco conhecida.
A pesquisa foi realizada em duas áreas distintas do Pontal do Paranapanema: o Parque Estadual Morro do Diabo e um fragmento na Fazenda San Maria. As câmeras foram posicionadas entre 0,5 e 8 metros de altura, equipadas com sensores infravermelhos, e permaneceram ativas continuamente. O foco em recursos específicos utilizados pelos micos mostrou-se uma estratégia eficaz para o acompanhamento da espécie.
A utilização de câmeras trap no dossel da floresta, embora menos comum que no solo, apresentou desafios logísticos e técnicos para instalação e manutenção. No entanto, a iniciativa demonstra o potencial dessa metodologia para estudos ecológicos e de conservação, incentivando sua expansão e padronização em pesquisas futuras sobre a vida arborícola.


