Fábrica Boyes, Palacete Luiz de Queiroz e Museu da Água são tombados pelo Estado de SP em Piracicaba

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O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), do Governo do Estado de São Paulo, aprovou nesta segunda-feira (14) o tombamento de três importantes edificações em Piracicaba: a Companhia Industrial e Agrícola Boyes, conhecida como Fábrica Boyes; o Palacete Luiz de Queiroz, também chamado de Palacete Boyes; e o Museu da Água. Os imóveis estão localizados no Complexo Beira Rio.

A decisão foi tomada com 20 votos favoráveis e dois contrários, sem abstenções. Conforme comunicado pelo Condephaat, a Praça Dona Ermelinda Ottoni, conhecida como Praça da Boyes, será mantida como área envoltória do conjunto agora protegido. O processo legal para a publicação da Resolução de Tombamento no Diário Oficial será iniciado, e os proprietários dos bens serão notificados formalmente.

O Movimento Salve a Boyes, responsável por impulsionar o pedido de tombamento em nível estadual, considerou a decisão uma vitória e um reconhecimento da mobilização social. O grupo destacou a importância histórica e cultural dos locais para a memória industrial de Piracicaba e do Brasil. No entanto, o movimento apontou preocupações, citando “lacunas graves” que poderiam afetar a paisagem visual e a leitura histórica da região da Rua do Porto.

Entre os pontos não contemplados na proteção pelo Condephaat estão o Canal de Água que percorre a Fábrica Boyes, o Edifício 8 (onde está localizado o letreiro com o nome da fábrica) e a definição de limites de altura para futuras construções no terreno e entorno. O movimento ressalta, contudo, que a não inclusão desses elementos não implica liberação automática para demolições ou para a realização de empreendimentos sem restrições, pois qualquer intervenção nos bens tombados ou em sua área de abrangência ainda necessitará de análise e aprovação do órgão estadual.

O processo que levou ao tombamento teve início em fevereiro de 2026, com a abertura do estudo pelo Condephaat e a concessão de proteção provisória. Um projeto imobiliário que propunha a demolição de seis prédios da antiga fábrica para a construção de quatro torres residenciais de cerca de 90 metros de altura às margens do Rio Piracicaba gerou o impasse. A demolição havia sido aprovada pelo conselho municipal (Codepac) em junho de 2023, mas um recurso de associações ambientais suspendeu o projeto em 2025, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que indicou o risco de danos irreversíveis ao espaço.

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