Estudo da Unicamp revela que 84% de jovens grávidas atendidas na universidade não planejaram a gestação

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Oitenta e quatro por cento das gestantes entre 12 e 20 anos atendidas no Ambulatório de Pré-Natal para Adolescentes do Hospital da Mulher (Caism), da Unicamp, não planejaram a gravidez. O dado é de um estudo publicado na revista científica The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care, que acompanhou 101 jovens entre junho de 2017 e julho de 2024. Apenas 16% das participantes afirmaram ter planejado a gestação atual.

O levantamento utilizou um questionário com 28 perguntas para analisar informações sobre idade, escolaridade, raça, ocupação, área de residência, convivência com o parceiro e histórico reprodutivo. A idade mediana das participantes era de 17 anos, sendo que a primeira relação sexual ocorreu, em média, aos 14 anos e a primeira gravidez aos 16.

Pesquisadores associam a gravidez não planejada entre adolescentes e jovens a fatores sociais, educacionais e reprodutivos. A conclusão do estudo defende a necessidade de garantir educação universal de qualidade para que jovens tenham projetos de vida além da maternidade ou paternidade, conquistando autonomia para decidir sobre filhos.

O estudo identificou que morar com o parceiro e ter a primeira gravidez em idade mais avançada estavam associados a uma menor probabilidade de a gestação ser não planejada. No entanto, os autores alertam que essa associação ocorre em um contexto de falta de oportunidades, como educação e desenvolvimento profissional.

A pesquisa também investigou o conhecimento sobre métodos contraceptivos. Apenas 33 jovens mencionaram espontaneamente algum método antes de receberem uma lista de opções, evidenciando uma lacuna entre o conhecimento teórico e a prática. Embora a maioria conhecesse pílulas, injetáveis e preservativos, o uso correto e o acesso a métodos de longa duração ainda são desafios.

O autor principal do estudo, Negli Gallardo-Alvarado, ressaltou que a informação sobre métodos contraceptivos não garante o uso efetivo. Ele apontou a dificuldade de acesso a contraceptivos reversíveis de longa duração, como DIU e implantes hormonais, que são mais eficazes na prevenção de gestações não planejadas, mas não possuem disponibilidade universal no Brasil.

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