Investigação flagra trituração de pintinhos recém-nascidos em indústria de ovos no Sul

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Prática comum na produção de ovos descarta pintinhos machos com menos de 24 horas de vida em máquinas. Alternativas como sexagem in ovo começam a ser implementadas no país, mas enfrentam barreiras de custo.

Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) expôs a trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte na indústria de ovos na Região Sul do Brasil. O material divulgado mostra animais com menos de um dia de vida sendo descartados em máquinas com lâminas de alta velocidade, uma prática que afeta cerca de 35 mil aves diariamente em algumas unidades, segundo a organização. O nome da empresa investigada foi mantido em sigilo pela MFA.

A remoção e descarte dos pintinhos machos ocorrem porque eles não são aptos para a produção de ovos e, de acordo com a investigação, não possuem características genéticas consideradas ideais para a indústria de carne. Separados das fêmeas logo após o nascimento, esses animais são destinados ao extermínio, configurando uma etapa padrão na cadeia produtiva de ovos. A MFA ressalta que a capacidade de sentir dor e medo em pintinhos recém-nascidos é cientificamente comprovada.

O levantamento da organização também apontou que os equipamentos de trituração nem sempre garantem uma morte imediata, o que pode levar a um sofrimento prolongado para os animais. Além dos machos, fêmeas com anomalias, deformidades ou que não atendem à demanda específica dos criadores também podem ser descartadas, embora em menor volume.

Como alternativa à prática, a MFA destaca a tecnologia de sexagem in ovo, que permite identificar o sexo do embrião ainda dentro do ovo. Essa inovação possibilita a retirada dos ovos com embriões machos antes da eclosão, evitando o nascimento e o posterior descarte dos pintinhos. A tecnologia já é utilizada em países da União Europeia, com a Alemanha, França, Áustria e Itália já possuindo legislações que proíbem a trituração.

No Brasil, a adoção da sexagem in ovo começou a se concretizar com a instalação da primeira máquina em julho de 2025, em Nova Granada, no interior de São Paulo. A Raiar Orgânicos foi a primeira empresa a utilizar a tecnologia em larga escala. Os primeiros ovos produzidos com o novo método chegaram ao mercado em dezembro do mesmo ano, indicando um avanço na busca por métodos mais éticos na produção.

Apesar dos avanços, o custo representa o principal entrave para a disseminação da sexagem in ovo no país. Estimativas indicam que o custo adicional da tecnologia varia entre R$ 5 e R$ 10 por ave, o que pode representar um aumento de até 150% em relação ao método convencional. No entanto, argumenta-se que esse valor pode ser diluído ao longo do ciclo produtivo, com um impacto mínimo para o consumidor final por dúzia de ovos.

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