
O Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú (SP), marcou um avanço no tratamento oncológico ao realizar, pela primeira vez, um procedimento de crioablação em uma paciente com câncer de mama. A intervenção ocorreu em 26 de agosto e integra um ensaio clínico internacional inédito na América Latina.
A crioablação é um método minimamente invasivo que utiliza o congelamento extremo para destruir células tumorais, sendo estudado para detecção em estágios iniciais da doença. Diferentemente da cirurgia tradicional, que pode demandar centro cirúrgico e internação prolongada, a nova técnica é realizada em ambiente ambulatorial com anestesia local.
Conforme explicado pelo médico João Ricardo Auler Paloschi, do HAC, a técnica envolve a inserção de uma cânula guiada por ultrassom diretamente na lesão. Através de nitrogênio líquido, o equipamento atinge temperaturas de até -160 °C, congelando o tumor e uma margem de segurança. O ciclo de congelamento é repetido duas vezes na mesma sessão.
Ao final do procedimento, a cânula é removida por uma pequena incisão na pele, sem necessidade de sutura. A paciente não requer internação e retorna para casa no mesmo dia, recebendo orientações para o uso de analgésicos, se necessário. A primeira paciente a passar pela crioablação em Jaú está em acompanhamento e apresenta boa recuperação.
Este estudo é considerado o maior projeto global sobre a eficácia da crioablação no tratamento de câncer de mama. O objetivo é coletar dados científicos para avaliar a segurança e efetividade da técnica, com a possibilidade de sua futura incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) caso os resultados sejam positivos.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil, com estimativas de cerca de 74 mil novos casos anuais, segundo o Inca. A expectativa é que, se comprovada sua eficácia, a crioablação possa oferecer uma nova alternativa de tratamento para a doença em seus estágios iniciais, potencialmente mudando o paradigma atual.


