
Uma análise abrangente de 4.334 espécies de aves passeriformes de todo o mundo revelou uma correlação estatística entre a vivacidade das cores da plumagem e o nível de ameaça de extinção. A pesquisa, publicada na revista científica Conservation Biology, cobriu aproximadamente 65% das espécies conhecidas do grupo e identificou que aves com plumagens mais chamativas e coloridas exibem um risco de extinção elevado em comparação com aquelas de tons mais discretos.
Os pesquisadores avaliaram dados de coloração obtidos de espécimes em museus, focando no número de cores visíveis na plumagem, e não em avaliações subjetivas de beleza. Eles também consideraram e controlaram outros fatores que poderiam influenciar o risco de desaparecimento, como o tamanho do corpo, a capacidade de se espalhar por diferentes ambientes, a dependência de florestas e a dieta das aves, mas a associação com a coloração permaneceu significativa.
A relação entre a plumagem colorida e o risco de extinção foi particularmente notável nas regiões Indomalásia e Australásia. Uma das hipóteses levantadas para explicar essa associação é o comércio de aves. Dados indicam que 32% das espécies estudadas já foram registradas em atividades de comércio de aves vivas, e pesquisas anteriores sugerem que aves mais coloridas são frequentemente mais visadas, alcançando preços mais altos no mercado ilegal.
No entanto, o comércio de aves não é o único fator explicativo. Os autores do estudo observaram que a ligação entre a coloração e a ameaça de extinção persistiu mesmo em espécies que não possuem registros conhecidos de envolvimento no comércio de animais de estimação. Isso sugere que outros mecanismos biológicos ou ecológicos podem estar contribuindo para essa correlação.
Os pesquisadores alertam que a continuidade do comércio ilegal, especialmente se focado em espécies mais vistosas e já ameaçadas, pode levar a um futuro com menos diversidade de cores no mundo aviário. A exploração direcionada a essas aves, seja para o mercado pet ou outras finalidades, agrava sua vulnerabilidade.
Apesar da tendência global, a correlação não se manifestou da mesma forma em todas as regiões. Nos Neotrópicos, que incluem o Brasil, os cientistas encontraram uma relação fraca ou inexistente entre a cor da plumagem e o nível de ameaça entre os passeriformes. A porcentagem de espécies envolvidas em comércio de aves na América Latina foi menor (25%) em comparação com a Indomalásia (46%).
Especialistas sugerem que diferenças culturais podem influenciar essa disparidade, como a valorização do canto de certas aves no Brasil, em detrimento da sua aparência, em algumas tradições de criação de pássaros. Além disso, o comércio de aves na América Latina pode envolver outros grupos não incluídos neste estudo específico, como psitacídeos (papagaios) e columbídeos (pombos).


