‘Particularidade histórica’: como mortes de pesquisadoras criaram regras inéditas para doutorado póstumo na Unicamp

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estabeleceu regulamentação inédita para a defesa de doutorado post mortem, um marco impulsionado pelas mortes das pesquisadoras Carla Vendramin e Silvia Geraldi. A universidade reconheceu o caso como um evento de “particularidade histórica” em função de sua contribuição para a criação de normas que preveem expressamente a defesa e diplomação após o falecimento do estudante.

Carla Vendramin, 51 anos, faleceu em janeiro de 2024 após um incêndio em Porto Alegre, RS, pouco depois de concluir e protocolar sua tese. Sua orientadora, Silvia Geraldi, 61 anos, expressou o desejo de que o trabalho fosse publicado, mas a universidade não possuía regulamentação específica para tais circunstâncias. A necessidade de lidar com essa situação levou a Unicamp a discutir institucionalmente a possibilidade e, consequentemente, a criar uma norma para permitir a continuidade acadêmica mesmo após o óbito do aluno.

A norma estabelece que, em caso de falecimento do estudante, o orientador assume a responsabilidade de formalizar a entrega e apresentar a tese, integrando as regras ao Regimento Geral dos Cursos de Pós-Graduação da universidade. Este regimento abrange trabalhos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, formalizando procedimentos que antes não contemplavam essas situações excepcionais.

Um novo desafio surgiu com o falecimento de Silvia Geraldi em julho de 2025, devido a uma doença congênita em Campinas, SP. Este evento inédito exigiu a elaboração de um novo procedimento, desta vez para os casos em que tanto o aluno quanto o orientador já faleceram. Foi necessário definir como um terceiro assumiria a responsabilidade de conduzir a apresentação da tese, destacando o caráter singular do processo que deu origem à regulamentação.

A defesa póstuma da tese de doutorado de Carla Vendramin foi realizada em 24 de agosto de 2026, com a professora Marisa Martins Lambert assumindo a condução do processo. O evento, que ocorreu na Casa do Lago do Instituto de Artes da Unicamp, reuniu professores, amigos e familiares, celebrando a conclusão de um trabalho acadêmico em circunstâncias extraordinárias.

A defesa póstuma, conforme explicado pela pró-reitoria, pode ocorrer se o estudante havia finalizado a versão original da tese e estava prestes a defendê-la antes de falecer, cumprindo todos os pré-requisitos acadêmicos. Após o registro do óbito e a verificação do cumprimento das exigências, o procedimento específico é habilitado no sistema acadêmico, permitindo que o orientador ou a secretaria do programa agende a defesa.

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