
A atual safra de urucum, na região da Nova Alta Paulista, que detém a maior produção do estado de São Paulo, tem sido motivo de preocupação para os agricultores. Embora o Brasil lidere a produção mundial, respondendo por mais de 50% do volume global, os valores pagos pela semente no mercado têm se mostrado insuficientes para garantir retornos financeiros adequados aos produtores locais.
Em Osvaldo Cruz, a produtora Maria Aparecida Fafreto, que cultiva mil pés de urucum-anão, relata que, apesar das condições climáticas favoráveis e dos cuidados que impulsionam a produtividade, a floração irregular da planta eleva os custos operacionais. O processo de colheita demanda idas repetidas às mesmas áreas para recolher os frutos em diferentes estágios, exigindo agilidade para preservar a qualidade dos grãos antes que percam suas características.
Mesmo com a venda do quilo de urucum comercializada entre R$ 12 e R$ 13, que representa uma margem de lucro inferior às expectativas, Maria Aparecida demonstra otimismo e planeja expandir sua plantação, com o objetivo de adicionar mais mil pés à sua produção.
Já em Junqueirópolis, o cenário é de queda. O produtor Marcos Everaldo Altrão informou uma redução de 25% em sua colheita em comparação com o ano anterior. De seus 30 mil pés, foram colhidas 15 toneladas. Ele atribui essa diminuição principalmente às condições climáticas adversas, com escassez de chuva na fase de plantio e excesso durante a colheita, o que impactou negativamente a qualidade dos grãos. Sementes com teor de umidade superior a 12% são rejeitadas pela indústria, segundo Altrão.
Para mitigar os custos, Marcos Everaldo adotou o uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas, em substituição à capina manual, buscando otimizar o manejo de sua lavoura.
Eduardo Ribeiro, engenheiro agrônomo, comenta que o aumento na oferta da safra não foi acompanhado por uma expansão correspondente na demanda. Contudo, ele aponta que o crescente investimento da indústria alimentícia em corantes naturais pode representar uma oportunidade de impulsionar o mercado de urucum em um futuro próximo.


