Data center de IA em Campinas aguarda licenças ambientais após contestação do conselho de meio ambiente

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Um grande data center de Inteligência Artificial (IA) planejado para Campinas, com capacidade projetada para representar 40% da atual capacidade de Tecnologia de Informação (TI) comissionada no Brasil, ainda aguarda a obtenção de licenças ambientais para sua instalação. O empreendimento, previsto para as margens da Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), tem a conclusão de sua primeira fase, uma subestação de energia elétrica, estimada para dezembro de 2027, conforme confirmou a Prefeitura de Campinas nesta sexta-feira (4).

Até o momento, o projeto obteve apenas alvarás de aprovação e execução para a referida subestação de energia, que funcionará como a etapa inicial da construção. A área onde o data center será erguido, a antiga Fazenda Pau d’Alho, ainda não foi subdividida em lotes menores, o que significa que a subestação pertence à totalidade do terreno. A administração municipal informou que as futuras etapas de configuração e ocupação da área serão avaliadas individualmente, respeitando as diretrizes urbanísticas, ambientais e legais vigentes.

Na última segunda-feira (31), o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema) aprovou uma resolução que solicita a suspensão dos licenciamentos relacionados à subestação. O conselho busca a oportunidade de discutir a implantação do empreendimento antes que as obras tenham início. A empresa Terranova, responsável pelo data center, esclareceu que as autorizações atuais permitem a implantação da subestação, que será repassada à concessionária local e integrada ao sistema elétrico da região.

A Terranova assegurou estar cumprindo rigorosamente todas as exigências legais para o avanço das licenças e destacou as contrapartidas ambientais e de infraestrutura do projeto. Estas incluem a destinação de quase um terço da área para preservação ambiental e doação ao município, além da construção de novas vias e estações de tratamento de água e esgoto. Para a gestão hídrica, o complexo empregará um sistema de resfriamento em circuito fechado, visando mitigar impactos ambientais.

A pedra fundamental do data center foi lançada em 20 de agosto de 2026. A estrutura ocupará aproximadamente 944 mil metros quadrados, com cerca de 115 mil metros quadrados de área construída. O investimento inicial é de 500 milhões de dólares, com expectativa de geração de cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o Brasil possui atualmente 1 gigawatt (GW) dedicado ao processamento de dados em seus data centers verificados.

A capacidade total do complexo em Campinas poderá alcançar 400 megawatts (MW) após a conclusão de todas as fases construtivas, prevista para 2029, de acordo com o CEO da Terranova, Mauricio Giusti. Ele explicou que a estrutura será utilizada por grandes empresas de tecnologia para serviços de nuvem, inteligência artificial e outras aplicações, com a IA sendo um dos focos principais. A construção do data center em si ainda requer licenças ambientais, que passarão por avaliação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

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