O que é a ‘economia prateada’ e como o crescimento da população com mais de 50 anos em Campinas tem mudado o mercado

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O envelhecimento da população em Campinas tem impulsionado a chamada ‘economia prateada’, um segmento econômico focado em produtos e serviços para pessoas com 50 anos ou mais. Dados do Censo 2022 indicam que 31% dos moradores da cidade se encaixam nesta faixa etária, superando as médias estadual (29,8%) e nacional (27,7%). Este fenômeno, originado no Japão no final dos anos 2000, reflete uma mudança significativa tanto no perfil de consumo quanto no mercado de trabalho local.

O mercado de trabalho em Campinas tem observado um aumento na participação de profissionais com mais de 50 anos. Um levantamento do Sindivarejista, com base em dados do Ministério do Trabalho, revelou que a proporção de trabalhadores acima dessa idade no setor varejista da cidade cresceu de 14% para 17,5% entre 2022 e 2025, o que equivale a quase 4 mil novas contratações. Segundo o economista Jaime Vasconcelos, do Sindivarejista, essa tendência mostra que o público mais maduro não está apenas como consumidor, mas também como profissional ativo.

Exemplos dessa inserção profissional podem ser vistos em diversos setores. Raquel Aburadi, consultora de lojas de 62 anos, atua há oito anos no mercado e atribui seu sucesso à seriedade e ao compromisso. Ela destaca o prazer e a vitalidade que o trabalho proporciona, considerando-o uma fonte de satisfação. No setor de supermercados, o empacotador Francisco da Silva Souza, de 58 anos, vê sua ocupação como essencial para sua saúde, independência financeira e manutenção de sua vida ativa, expressando o desejo de continuar trabalhando enquanto for possível.

O impacto da ‘economia prateada’ também é notável no perfil de consumo. O número de moradores de Campinas com 50 anos ou mais saltou de 255,7 mil em 2010 para 353 mil em 2022. Uma pesquisa da Data8 aponta que este público movimenta aproximadamente R$ 1,8 trilhão anualmente no Brasil, com projeção de alcançar R$ 3,8 trilhões até 2044, representando cerca de 35% do consumo total do país. A pesquisa ainda indica que 76% desse grupo é a principal fonte de renda familiar, e 39% a única.

Diante desse cenário, o comércio local tem se adaptado para atender às demandas de um público cada vez mais ativo e com poder aquisitivo. Lojas de roupas de praia, por exemplo, têm investido em produtos específicos para essa faixa etária e em funcionários experientes, o que tem gerado resultados positivos. Gestores apontam que este público mais maduro tem apresentado um desempenho comercial expressivo, suprindo demandas que o público mais jovem pode não atender.

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