
As cirurgias de catarata realizadas no Hospital Ouro Verde, em Campinas, foram suspensas temporariamente após a Vigilância Sanitária interditar a Central de Material e Esterilização (CME) da unidade. A interdição, publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (4), ocorreu após uma análise constatar a presença de bactérias heterotróficas em quantidade superior ao limite permitido na água purificada utilizada no enxágue de materiais hospitalares.
A Rede Mário Gatti, responsável pela gestão do hospital, classificou a suspensão como uma medida preventiva. A expectativa é que os procedimentos oftalmológicos sejam retomados após a adequação do sistema de osmose e a emissão de um novo laudo favorável pela Vigilância Sanitária. As demais cirurgias no hospital permanecem em andamento sem interrupções.
A inspeção que resultou na interdição foi realizada na terça-feira (1º), com a determinação da medida ocorrendo na quarta-feira (2). Além da questão com o sistema de água, outras manutenções estão sendo executadas na CME. Por essa razão, os materiais que seriam esterilizados no Ouro Verde estão sendo processados na CME do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti há cerca de uma semana.
A Rede Mário Gatti informou que a interdição afeta exclusivamente a Central de Material e Esterilização do Ouro Verde e reiterou o compromisso com a qualidade do atendimento e das instalações. A instituição possui um prazo de 10 dias para apresentar recurso contra a penalidade imposta.
Esta não é a primeira vez que um equipamento de esterilização da rede enfrenta problemas. Em julho, uma termodesinfectora da Unidade Pediátrica Mário Gattinho também foi interditada pela Vigilância Sanitária devido à presença de bactérias heterotróficas em níveis elevados na água de processo. Na ocasião, os reparos também foram estimados em cerca de 20 dias e os atendimentos não foram impactados.
Bactérias heterotróficas são microrganismos que necessitam de matéria orgânica para se desenvolver. Embora a maioria seja inofensiva, algumas podem causar doenças. Segundo especialistas, um número elevado dessas bactérias na água de esterilização serve como um indicador de falha em barreiras de proteção, como quantidade insuficiente de cloro ou acúmulo de sujeira em tubulações, sem necessariamente indicar contaminação direta dos materiais processados.


