UE suspende compras de carne bovina do Brasil, mas veto preocupa mais pela vitrine do que por volume

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União Europeia interrompe importações de carne bovina e mel do Brasil, alegando controle insuficiente de antimicrobianos. O impacto principal reside na perda de credibilidade internacional, apesar do baixo volume negociado.

A partir desta quinta-feira (3), a União Europeia (UE) suspende as compras de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão afeta principalmente os setores de carne bovina e mel, sendo que, no caso da carne, a preocupação se concentra menos no volume de exportação e mais na relevância estratégica do bloco europeu para pecuaristas e frigoríficos brasileiros.

A medida foi justificada pela UE com base na avaliação de que o controle brasileiro sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é considerado insuficiente. Embora não tenham sido encontradas irregularidades na carne nacional, a falta de conformidade com as normas europeias sobre o uso dessas substâncias motivou o bloqueio.

A União Europeia representa uma fatia relativamente pequena nas exportações brasileiras de carne bovina, correspondendo a 3,7% do volume e 5,8% do valor total. No entanto, o bloco é um destino para cortes nobres e funciona como uma importante referência de qualidade no mercado global. Especialistas apontam que o acesso ao mercado europeu funciona como um selo, facilitando a entrada em outros países exigentes.

O pesquisador do Cepea-USP, Thiago Bernardino de Carvalho, destaca que, enquanto a China, principal comprador, paga em média US$ 6,50 por quilo, a UE desembolsa cerca de US$ 10 pelos mesmos cortes. A China importa cerca de metade da carne bovina brasileira, movimentando US$ 8,8 bilhões, enquanto a UE, terceira na lista, registra US$ 1,6 bilhão.

Os europeus demonstram preferência por cortes do traseiro do boi, como filé mignon e contrafilé, enquanto os chineses focam em cortes dianteiros. A necessidade de rastreabilidade individual de cada animal e o cumprimento de exigências sanitárias, veterinárias e de bem-estar animal tornam o processo de certificação para exportar à UE complexo e rigoroso. Apenas alguns estados brasileiros possuem autorização para exportar para o bloco.

O cumprimento dessas exigências europeias é visto como um diferencial competitivo, podendo abrir portas em mercados como Japão e Coreia do Sul, com os quais o Brasil negocia a liberação de suas carnes. A preocupação de pecuaristas e analistas é que o veto da UE possa desestimular produtores a manterem os elevados padrões de rastreabilidade e qualidade exigidos por mercados internacionais.

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