
Paulínia (SP) registrou o maior crescimento populacional proporcional na região de Campinas nos últimos 20 anos. A cidade, que em 2006 contava com cerca de 62 mil habitantes, saltou para mais de 117 mil em 2026, um aumento de 89,2%. Esse expressivo aumento, que representa a adição de mais de 55 mil moradores, praticamente dobrou o tamanho do município e superou o crescimento de cidades vizinhas como Louveira, Holambra e Jaguariúna no mesmo período.
Especialistas apontam que o desenvolvimento de Paulínia é reflexo de um movimento de expansão urbana em direção a municípios no entorno de cidades maiores. O professor Ednelson Mariano Dota, da Unicamp, explica que, com a valorização da cidade-sede, os municípios vizinhos, que oferecem custos de terra e aluguel mais baixos, tornam-se mais atrativos para novos moradores.
O impulso imobiliário, especialmente a partir dos anos 2000 na região de Betel e, posteriormente, expandindo-se para outras áreas, foi um dos principais motores desse crescimento. A construção de diversos condomínios fechados contribuiu significativamente para a atração de novos residentes, consolidando Paulínia como um polo de desenvolvimento.
A análise do crescimento na região revela padrões influenciados por eixos rodoviários, como a Anhanguera. No eixo norte, que inclui Paulínia, Valinhos e Vinhedo, predominam empreendimentos voltados a públicos de renda mais elevada. Já no eixo sul, observam-se características de crescimento associadas a populações de menor renda média, mas em ambos os casos, as cidades têm se tornado mais complexas, concentrando serviços.
A proximidade com Campinas e a facilidade de acesso através das rodovias são fatores cruciais para a atratividade de Paulínia. A integração econômica e viária da região permite que muitos moradores residam na cidade e trabalhem em Campinas ou em outros centros econômicos sem grandes transtornos, evidenciando a transformação de cidades que antes eram vistas apenas como dormitórios.
Essa nova dinâmica regional mostra que os municípios vizinhos de Campinas já não funcionam apenas como cidades-dormitório. Atualmente, eles concentram um volume crescente de comércios, serviços e oportunidades, tornando-se mais autossuficientes e complexos, como destaca o professor Dota. A localização estratégica próxima às rodovias facilita o acesso a esses empreendimentos e aos polos de trabalho.


