Planos de governo presidenciais focam em violência e saúde para mulheres, mas omitem participação política

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Pesquisa do Instituto Update revela que propostas para mulheres em planos de 12 candidaturas à Presidência concentram-se em violência e saúde. Participação política e autonomia feminina recebem pouca atenção.

Um levantamento realizado pelo Instituto Update com base nos planos de governo de 12 candidaturas à Presidência da República evidenciou que as propostas voltadas para o público feminino se concentram majoritariamente em temas como combate à violência, saúde e cuidados. A pesquisa, que analisou as plataformas políticas, observou que questões cruciais como a participação feminina nos espaços de poder e a segurança no ambiente público tiveram menor destaque.

A análise, que considerou apenas políticas explicitamente dirigidas às mulheres, apontou uma lacuna significativa entre o reconhecimento dos problemas enfrentados por elas e a proposição de soluções estruturadas. Segundo Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, os planos abordam os desafios, mas falham em incorporar as mulheres como agentes de decisão e em contemplar suas experiências cotidianas de forma mais abrangente.

Em relação à participação política, as mulheres aparecem predominantemente como beneficiárias de políticas, e não como protagonistas. Embora pesquisas demonstrem um amplo desejo por maior representatividade feminina em cargos eletivos, apenas uma candidatura apresentou propostas específicas sobre o tema. A inclusão de mulheres em posições de liderança e decisão, como no Supremo Tribunal Federal, foi contemplada por um número ainda menor de planos, indicando a baixa prioridade dada à questão.

A violência contra a mulher emergiu como o tema mais presente nos planos, com nove das 12 candidaturas apresentando propostas explícitas sobre o assunto, incluindo feminicídio e proteção a vítimas. Medidas como a ampliação de redes de apoio, casas-abrigo e o monitoramento eletrônico de agressores foram citadas. Contudo, a pesquisa ressalta que os planos ainda restringem a visão da mulher como vítima, com pouca atenção à insegurança que limita sua circulação e uso do espaço urbano.

A pesquisa também destacou que a segurança feminina no contexto da mobilidade urbana e transporte público foi explicitamente abordada por apenas uma candidatura. Isso contrasta com a percepção de que mulheres possuem soluções valiosas para a segurança pública, conforme apontado em estudos anteriores do Instituto Update e do Fogo Cruzado, que indicam que 70% delas concordam com essa visão.

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