O economista André Lara Resende, conhecido por sua atuação no BNDES e no Banco Central, gerou polêmica após a publicação de um artigo em sua newsletter. Nele, Resende sugere a criação de um novo órgão para gerenciar políticas monetária e fiscal, com foco na redução da taxa básica de juros, considerada excessivamente alta no Brasil.
Em entrevista, ele afirmou que a alta taxa de juros é mais responsável pelo déficit fiscal do que os gastos públicos, contrariando a visão de muitos no setor financeiro. Resende argumenta que a concentração de renda é agravada pelos juros altos, que beneficiam principalmente os detentores da dívida pública, a parcela mais rica da população.
Recentemente, seu artigo foi compartilhado pela deputada Gleisi Hoffmann, o que gerou especulações sobre uma possível reunião com o presidente Lula. Resende negou qualquer contato com Lula e afirmou que a notícia foi plantada para prejudicar sua proposta. Ele defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar expectativas sobre juros e política fiscal.
Resende também criticou a comparação de sua proposta com experiências de outros países, como a Turquia, e reiterou que sua intenção não é tabelar os juros, mas sim aperfeiçoar as instituições. Ele acredita que a redução dos juros deve ser gradual e acompanhada de um diálogo com o mercado, ressaltando que o Brasil não enfrenta um problema de inflação, mas sim de juros altos.
Por fim, ele enfatizou que a proposta precisa passar pelo Congresso e que a credibilidade institucional é fundamental para a sua implementação. Resende se mostrou cético, mas esperançoso quanto à possibilidade de um avanço na política econômica brasileira.
