Milagreiros de cemitério atraem devotos em Campinas, SP

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No Cemitério da Saudade, em Campinas (SP), é comum encontrar túmulos adornados com placas que expressam gratidão, como “Por uma graça alcançada”. Esses locais pertencem a figuras conhecidas como “milagreiros de cemitério”, cujas histórias de vida e morte atraem devotos em busca de auxílio espiritual. O pesquisador cemiterial Thiago de Souza, criador do projeto “O que te assombra”, identificou cerca de 25 milagreiros em Campinas e outros 30 na capital paulista.

De acordo com Souza, não há critérios definidos para que alguém seja considerado um milagreiro. A devoção surge de maneira espontânea, com os visitantes criando seus próprios rituais de fé. “Se não existir devoto, não existe milagreiro”, afirma o especialista, que compara esse fenômeno à tradição dos primeiros mártires cristãos, embora ressalte que a Igreja Católica não reconhece oficialmente essas figuras.

Os túmulos dos milagreiros se destacam dos demais, recebendo não apenas flores, mas também ex-votos – objetos deixados como agradecimento por graças alcançadas. Esses itens, que podem variar de acordo com a necessidade do devoto, ajudam a propagar a fama do milagreiro e a atrair novos visitantes. Além disso, algumas religiões de matriz africana associam essas figuras a entidades espirituais, enriquecendo ainda mais a diversidade de crenças.

Adriana Camilo, uma devota de 45 anos, visita os túmulos desde a infância e considera o cemitério um espaço sagrado. Para ela, a figura de Toninho, um dos milagreiros, representa perseverança e a força da fé. “Lá não tem mais espaço para placas de graças alcançadas. Ele foi reconhecido como santo não é à toa”, destaca. Adriana vê a prática como uma forma legítima de religiosidade popular, que reflete empatia por aqueles que sofreram em vida.

Thiago de Souza acredita que o fenômeno dos milagreiros vai além da busca por graças, revelando traços importantes da vida comunitária. Segundo ele, a devoção em torno dessas figuras ajuda a manter viva a memória afetiva da população, transformando a dor em esperança e fé. O cemitério, embora um lugar de tristeza, também é um espaço de conversão e ressignificação das histórias de vida e morte.

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