Uma família em São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, mantém há 117 anos uma gravura de Nossa Senhora Aparecida, que carrega uma rica história de fé e tradição. A peça é cuidada por Renata Obata, que herdou a imagem de seus pais. Segundo a historiadora Tereza Pasin, a gravura contém elementos históricos que ajudam a datar sua origem, incluindo a representação da padroeira e uma fotografia da antiga Basílica Histórica.
A gravura foi presenteada a Renata por Faustina, uma mulher que foi acolhida pela bisavó de Renata em sua casa, em agradecimento pela hospitalidade. Renata relata que Faustina entregou a imagem enrolada, que a família decidiu preservar ao longo dos anos. O nome da doadora ainda está registrado no verso da gravura, embora não se saiba como ela adquiriu a peça.
Em 1923, a gravura foi recebida como presente de casamento por Cipião, avô de Renata, e se tornou uma parte importante da tradição religiosa familiar. Renata lembra que sua avó reunia os filhos ao redor do quadro para contar a história da santa e rezar. Após um dano na moldura em 1973, o pai de Renata decidiu restaurá-la e acabou ficando com a imagem.
A descoberta do valor histórico da gravura ocorreu em 1986, quando a mãe de Renata encontrou uma reportagem sobre uma gravura idêntica. Em 2010, a peça foi danificada por água, levando Renata a buscar uma nova moldura. A imagem agora representa não apenas a fé da família, mas também as memórias de momentos significativos ao longo de gerações.
A gravura também possui características que a vinculam a uma fotografia de 1869, considerada a primeira imagem conhecida da padroeira. A identificação da gráfica francesa L. Turgis & Fils, que produziu a gravura, confirma sua relevância no contexto das impressões religiosas do final do século XIX. Para Renata, a gravura simboliza a fé e os laços familiares, sendo um legado que transcende o tempo.


